Pulseira do Equilíbrio – Parte II

Na minha fraca memória tenho ideia de nos idos anos sessenta ter havido uma coisa do género, penso que eram umas braceletes de relógio aos quadradinhos que tinham uns poderes especiais, que já não me lembro quais, mas que suponho andarem pelo mesmo registo desta pseudo-sofisticada pulseira do equilíbrio, que cada vez vejo mais nos pulsos dos portugueses e portuguesas, pequenos e graúdos, novos e velhos, ricos e pobres e até em crentes e cépticos, sem que até agora tenha lido uma linha escrita ou falada da comunidade cientifica aprovando os poderes da tal pulseira da moda.

Não há-de tardar (se por acaso não existir já!) a mesmíssima pulseira, mas de uma griff qualquer, só que custando os olhos da cara, e quem sabe se outros, mas que hão-de marcar diferença em excelsos pulsos de uma certa elite parola, mas seguramente endinheirada, daquela que só frequenta os espaços VIP das summer sessions dos clubes da moda.

Esta coisa parece que é cíclica. Se lá pelos idos anos sessenta apareceu a tal pulseira de relógio com propriedades metabólicas, já pelos anos oitenta apareceram as famosas pulseiras do Sala, que ao que se me afigura, em vez do holograma quântico, dos iões de poderes quase sobrenaturais, tinham duas bolas nas pontas da tal metálica pulseira que bailava de pulso em pulso e que tinha o condão de aliviar (para além da carteira) a fadiga, o cansaço, dores de cabeça e sei lá mais quantas propriedades milagrosas que mudavam a vida a quem adquirisse tão prodigioso penduricalho, que, se bem me lembro, até tinha anuncio na televisão e tudo.

Existem ainda outras decorações pulsares como as famosas fitas brasileiras que as pessoas usam até apodrecer, na expectativa de que o desejo formulado se realize com o natural rompimento da dita fita, que curiosamente satisfizeram o desejo de quem as criou e que consistia em ficar rico sem mexer uma palha.
Enfim, modismos etéreos que permitem a uns quantos encherem os bolsos, enquanto outros se enchem de ridículo.

Pulseira do Equilíbrio – Parte I

Na verdade não tenho muito contacto com as famosas, resplandecentes e inovadoras braceletes do equilíbrio, que ao que parece, trazem aos seus utilizadores um novo bem-estar até aqui desconhecido. Penso mesmo que trazem ainda um melhor bem-estar ao esperto que desenvolveu o conceito e o comercializou, mas isso são contas de outro rosário.
Como trabalho em marketing, o aparecimento deste tipo de produtos, desperta-me sempre a curiosidade e até, quem sabe, o desejo de um dia ter a desfaçatez de introduzir no mercado um produto que não faça bem nem mal, não aqueça nem arrefeça, mas que me engorde rápida e sorrateiramente a conta bancária.

Um feirante durante a FATACIL no Algarve teve o desplante de procurar credibilizar o produto em questão via preço, dizendo-me ao ouvido, como se fosse uma dica que valesse ouro: «Se custarem menos de 70/80 euros não compre, são falsas!»

Esta abordagem ao ouvido já a tive em diversas ocasiões. A que me lembro e que mais me marcou, foi a de um vendedor de terços na Praça de São Pedro no Vaticano, que me chamou de lado para me dizer que os terços da direita eram benzidos pelo Papa mas os restantes não. À pergunta como havia conseguido tão bendita benzedura, chamou-me ainda mais para o lado e para debaixo duma coluna e olhando para um lado e para outro dando ao momento a solenidade e confidencialidade que este exigia, apertou-me o braço e disse-me ao ouvido: «Sou amigo do Cardeal Saraiva, com quem almoço de vez em quando numa tratoria aqui nas traseiras, que me leva uns quantos para o Papa benzer… mas isto fica aqui entre nós!»

Sem roupa

Leio na edição on-line do jornal diário Correio da Manhã que «Vinte pessoas despem-se para ganhar roupa»:

O mote foi dado por uma loja de roupa. No dia da inauguração, esta terça-feira às 13h00, os primeiros 20 clientes que aparecessem no centro comercial Gran Plaza, no Porto, completamente despidos tinham direito a ser premiados com peças de roupa. [...]

Boa iniciativa. Embora não seja obviamente uma ideia original no mundo, é interessante começar a arriscar mais por cá.

Enoturismo: o marketing

Sendo condição sine qua non a existência de vinha e produção de vinho para o desenvolvimento do enoturismo numa região, esta poderá não ser suficiente para a criação de um produto completo. Daí que o desenvolvimento deva começar com o marketing porque o motor do marketing, são as necessidades dos clientes. Os promotores devem compreender o que os clientes desejam, quais os benefícios que procuram, pois sem mercado não há venda de produto.

Para além de estudar os potenciais clientes, deve-se conhecer os actuais e estabelecer com eles uma relação sustentável (relationship marketing). Toda a adega devia elaborar uma base de dados que incluísse os nomes e contactos de cada visitante, especialmente os que compraram vinho e outros produtos. Tal base de dados é essencial para os esforços promocionais de follow-up, incluindo informação sobre novos produtos e actividades promovidas pela adega.

O ambiente de concorrência, particularmente entre pequenas adegas, preconiza ainda a segmentação do mercado que consiste no agrupamento de turistas em categorias específicas com desejos homogéneos. Esta tornar-se-á cada vez mais uma importante ferramenta do planeamento de marketing estratégico para o desenvolvimento do turismo, sobretudo, a nível regional. A segmentação representa uma adaptação do produto e do esforço de marketing às necessidades do consumidor.

É a partir da análise dos mercados que se escolhe o valor a criar. Um perfil irá informar sobre a natureza dos benefícios procurados pelos melhores clientes, e quais os produtos, serviços, e mensagens de comunicação que irão atrai-los.

Concomitantemente, como muito do marketing e promoção do vinho e turismo parecem testemunhar, quando uma pessoa compra vinho estão a adquirir muito mais do que um produto físico, estão a consumir imagens, estilos de vida, experiências e lugares.
Neste âmbito, a classificação Denominação de Origem Controlada oferece potencial para uma marca regional e consequente imagem do destino.
O sistema DOC, identifica um produto que retira a sua autenticidade e a sua tipicidade da sua origem geográfica. Hoje em dia, os turistas procuram a autenticidade, o saber fazer, os particularismos de cada território e o encontro com quem lhes dá forma.