A complexidade do papel higiénico
Nov 3rd, 2008 por Napoleão Mira
Noutros tempos cagava-se atrás duma árvore e limpava-se o cu a um seixo que fosse suficientemente pontiagudo de modo a raspar os resíduos merdilosos que ficavam agarrados aos pêlos do cu.
Noutras latitudes onde o seixo não a(bunda), utilizava-se a famosa folha de couve, de que se deveria ter o cuidado de atirar para bem longe, não fosse o caso desta ir parar dentro duma qualquer panela e a sopa ficar: uma merda.
Quando o papel se começou a vulgarizar, bocados de sacas de cimento ou de outros materiais, jornais velhos e outra papelagem estiveram nos primórdios daquilo que se convencionou posteriormente chamar de papel higiénico, uma forma camuflada de chamar papel limpa cus a esses rolos que normalmente cortam por todo o lado menos pelo picotado, conforme Mário Mata imortalizou na célebre canção “Não há nada p’ra ninguém”.
Um velho amigo meu, o professor Amaral, tinha por hábito utilizar o dito papel como guardanapo em refeições de alguma pompa e circunstância, especialmente se algum dos convivas fosse estrangeiro, deliciava-se a explicar a razão da utilização do dito rolo escudando-se na terminologia portuguesa, servindo a explicação muitas das vezes como desbloqueador de conversa e terminar em risota geral.
Dizia o velho professor, se o papel era chamado de higiénico e não fora utilizado para outros fins, tanto poderia servir para limpar a boca como para limpar o cu; agora se o papel tivesse o nome que tem noutras línguas, a coisa poderia ter contornos de má educação, coisa de que a traiçoeira da língua portuguesa o safava e inclusive fazia brilhar, tal era a concordância dos convivas, nas muitas vezes que o vi fazer o número do papel higiénico.
Aqui há tempos vi ou li algures que a fábrica Renova estava a revolucionar a limpeza dos rabiosques espanhóis com a sua gama de papéis higiénicos a que “nuestros hermanos” estavam rendidos, sendo que, esta era uma aposta ganha e um orgulho para Portugal, que uma empresa portuguesa estivesse a singrar no difícil mercado do cu espanhol, até porque, o último sucesso desta empresa era a introdução do papel higiénico de cor preta, uma autêntica pedrada no charco, ou como em tempos antigos “uma seixada no pandeiro”.
Todos sabemos que esta é uma área a que muitos poetas e escritores dedicaram muito do seu saber. Destaco neste particular o enorme poeta António Botto em Portugal e Carlos Drumont de Andrade no Brasil, como dois expoentes máximos do elogio do cu e seus arredores no que se refere à língua portuguesa.
De qualquer modo, o papel higiénico é um excelente aferidor da evolução do género humano e um símbolo de modernidade urbana e rural, até porque este artigo faz parte do quotidiano de qualquer automobilista ou mesmo da bagagem de qualquer pastor, que embora esteja rodeado de seixos por tudo quanto é lado, também este, já se rendeu à suavidade desta revolucionária invenção.
Excerto do post publicado originalmente no Pulanito
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Loooool, gostei do artigo, mas acho que não está muito bem enquadrado neste blog.
Penso que se adequaria melhor se o blog se chamasse “Merdologia.argh”.
Looooool
Abraço
LOL
Abraço!
o principio do papel higienico, é qdo um elemento ou orgão faz alguma coisa gde (como avião ) e enche de furos seguidos como os picotes do papel higienico,como um meio de segurança(nunca rasga no picote).
Olá anselmo,
Boas vindas! Obrigado pelo comentário.