Acabo de ler o artigo «Marcas munem-se de armas estratégicas para comunicar em tempos de crise», da autoria de Sofia da Palma Rodrigues, publicado no Meios & Publicidade. Aconselho vivamente a leitura do texto, que escalpeliza tendências que circundarão o marketing nos próximos tempos.
O primeiro parágrafo foca um ponto curioso que traduz indubitavelmente a falta de objectividade de algumas marcas:
Em tempo de guerra não se limpam armas. E, em tempos de crise, também as marcas abandonaram estratégias redundantes para se dotarem de mensagens mais concretas, que chegam directamente a um consumidor cada vez mais atento e opinativo. Confiança, consciência ambiental, capacidade de comunicar nas diversas plataformas e fidelidade são, de acordo com um estudo da Leo Burnett internacional, as tendências futuras que irão pautar as mensagens publicitárias e o marketing das empresas. [...]
Impressionante. Foi preciso chegarmos a um cenário de crise para que certas marcas começassem a pensar no marketing desta forma?
Olá Hélder.
Bom artigo e boa crítica. Também acho que seja falta de objectividade mas, mais do que isso, falta de estratégia.
Olá Ana,
Obrigado pelo teu comentário. Sim, incluo todos os pontos estratégicos na objectividade.
Olá Helder, antes de mais parabéns pelo blog, já é mais do que altura dos portugueses começarem a usar a internet para publicação de bons conteúdos em língua portuguesa, e não se concentrarem apenas no seu aspecto lúdico.
Em relação ao artigo que publicas, gostaria apenas de acrescentar que esta necessidade de objectividade é motivada pelos baixos orçamentos para comunicação/marketing/publicidade, o que leva as empresas a seguir dois caminhos: ou não investir, e correr o risco de, assim que as coisas melhorarem, já ter sido ultrapassada pela concorrência; ou investir melhor (mesmo que menos) na sua comunicação, de forma a chegar de forma incisiva ao público pretendido. Trabalhando na área da comunicação, vejo diariamente casos de clientes que ignoram certas sugestões e continuam a insistir em formas de comunicação ultrapassadas, massivas e não-direccionadas e, claro, quando os resultados não permitem o retorno do investimento, a culpa é sempre da agência.
Olá Filipe,
Boas vindas ao blogue! Muito obrigado pelo comentário e pelo elogio.
Concordo contigo. Espanta-me o facto de muitas empresas preferirem comunicar para o maior número possível de pessoas, sem se preocuparem minimamente com um público-alvo. Espanta-me, mais ainda, julgarem que isso redundará num ROI mais elevado.
No teu caso, porque achas que continuam a fazer tais escolhas? Budget apenas?
Uma das coisas que mais aprecio no conceito de web 2.0 é esta possibilidade de troca de ideias
e, friso a ideia, é pena que em Portugal ainda não nos tenhamos apercebido de todo o seu potencial.
. O budget é obviamente importante e condiciona em muito as escolhas nas estratégias de comunicação. É conveniente referir que a maioria das empresas não possui um departamento de marketing, logo as decisões de comunicação são tomadas sem ter em conta factores importantes no sucesso das mesmas, como o público-alvo ou até o objectivo dessa campanha de comunicação – esse papel é muitas vezes desempenhado pelos accounts das agências ou mesmo por designers, que direccionam o trabalho pedido segundo o que consideram ser o mais acertado (tarefa ingrata!). Outros factores a ter em conta são, na minha opinião, a ignorância generalizada dos novos meios de comunicação, o medo de utilizar novas plataformas e a resistência em encarar o investimento em comunicação como uma mais-valia a longo prazo (principalmente sendo um factor de diferenciação da concorrência).
Falar do porquê destas escolhas dava para uma série de artigos
Deixo aqui um link para uma apresentação que resume muito bem esta problemática http://www.slideshare.net/mediacafe/advertising-on-the-edge-presentation.
Olá Filipe,
A troca de ideias é algo essencial para que possamos evoluir!
Obrigado pelo teu pertinente comentário. As tuas observações dariam de facto um artigo deveras interessante! Se quiseres colaborar para este modesto estaminé, seria uma honra
Em relação à apresentação, já tinha falado sobre ela aqui: http://www.mercadologia.org/advertising-on-the-edge/
Um abraço!
Hélder, sabes que muitas empresas ainda vêm o marketing através de uma óptica demasiado redutora. A meu ver, esta crise veio “apertar o cinto” a muito boa gente que simplesmente achava que marketing era fazer campanhas publicitárias ao desbarato, ainda muito com aquela mentalidade do “if you build it, they will come”.
Finalmente estas pessoas estão a ver que têm que ser muito mais concisos e directos e ir ao encontro do seu público-alvo, se quiserem manter-se na “corrida”…
Partilho do teu ponto de vista, Diogo. Mas é preciso que chova a cântaros para que se lembrem de Santa Bárbara!