A indústria musical ressuscitará mais forte que nunca
Abr 17th, 2008 por Helder Encarnação
O mercado discográfico debatia-se com um evidente anacronismo até há bem pouco tempo. Era refutada a importância do novo paradigma nado do advento das novas tecnologias, consubstanciadas principalmente na Internet. Felizmente que, paulatinamente, as editoras e os grupos começam a descortinar que os tempos são outros. Urge encarar toda esta nova realidade, até porque cruzamos uma altura em que a indústria musical atravessa uma crise de vendas que se vem arrastando desde há alguns anos, impulsionada maioritariamente pelo download ilegal de músicas.
Importa ver a Internet como uma oportunidade e não como uma ameaça, até porque a rede global veio criar novas formas de distribuição para produtos e serviços, associando-se a novos modelos de negócio, específicos para o meio, ou mesmo constituindo-se, inúmeras vezes, como o próprio modelo de negócio. Neste vector, tem como principais vantagens a abrangência em termos de mercado, a rentabilização dos processos (tempo, distância, custos, agilidade, eficiência), a promoção direccionada e a aferição de resultados e consequente adequação à procura em tempo real.
Actualmente, muitos artistas preterem da venda da sua obra, algo impensável há poucos anos. Ao invés, oferecem os seus temas gratuitamente na Internet, esperando um retorno financeiro baseado noutros factores. Em suma: crêem na era www como detentora de um vasto leque de possibilidades.
Já aqui vimos os exemplos dos Radiohead ou dos Nine Inch Nails, entre outros. É altura de falar do Pedro Frias. Ele é o mentor da Pedro Frias Band, projecto do qual faço parte.
O Pedro decidiu que a melhor forma de promover o seu projecto seria adoptar o mote “Não precisa piratear, nós oferecemos!”, ofertando músicas gratuitamente no sítio do projecto. O objectivo é, segundo o próprio, dar a conhecer o trabalho ao maior número possível de pessoas, tomando partido do ímpeto dado justamente pelo facto de não ser pago. Consequentemente, não há qualquer factor que coíba o não tomar conhecimento da sua música.
O buzz gerado será altamente benéfico. Permitirá construir uma base de dados sólida e bastante segmentada de fãs; dará a conhecer produtos de merchandise, que poderão obviamente ser pagos; perspectivará mais espectáculos, entre outras vantagens.
O presente futuro é on-line. A indústria musical (tradicional) morreu, mas ressuscitará mais forte que nunca.
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Pois é. As discográficas, como isto tudo está a andar, têm os dias contados. Ou se adaptam ou morrem. Já se vê muitos sites a vender álbuns e até mesmo faixas soltas de vários artistas a preços muito baratos, eliminando a necessidade de intermediários.
O caso dos Radiohead é o exemplo perfeito da nova tendência. Ao colocarem o álbum à disposição dos fãs de graça, começaram algo que já se previa e temia (no caso das discográficas), anunciando grandes perdas para as mesmas.
Há algum tempo que as lojas de música já são uma espécie em vias de extinção, suplantadas de há alguns anos a esta parte pelas grandes superfícies. Acho que já não tarda muito para que a maior parte da compra e venda de música seja feita on-line.
Se formos a ver bem, a maior parte de nós já não compra cds há montes de tempo, preferindo “sacar” da net, o que cria em nós uma habituação à falta do álbum físico que no final de contas poderá levar à cessação de vendas de álbuns tal como conhecemos nos dias de hoje.
A ver vamos…
Concordo perfeitamente, porque também há já algum tempo que não compro CDs, preferindo a opção “sacar”.
Também, vamos a ver, se eu fosse comprar toda a música que gosto, upa upa!
Pode haver é a hipótese de encontrar um album que realmente me interesse muito e que esteja a um bom preço. Aí sim, sou capaz de o comprar, como fiz com o N4 dos Foreigner a 6.99€
Por acaso nunca me aventurei a comprar músicas nesses novos sites, mas é algo que pretendo fazer um dia destes. Acho que é a melhor maneira de poder ver como funciona o serviço e depois fazer uma crítica. Quando fizer isso, logo venho cá deixar um post a contar como foi…
@Tiago: Bem-vindo! Obrigado pela visita e pelo comentário


O que dizes levanta outra questão: que preço achamos justo pagar por um CD “normal”. Que me dizes?
@Diogo: Não me consigo habituar à falta do álbum físico!
Quando quiseres publicar o post já sabes…
Acho que o álbum físico traz sempre aquela sensação de novidade, aliada ao facto de que o álbum físico é tangível, pode-se tocar e se for bem cuidado, dura uma vida.
Creio que daqui a alguns anos os nossos CD’s serão para os nossos filhos o que os discos de vinil dos nossos pais foram para nós…
E se reparares, Diogo, continua a existir quem não desista de comprar discos de vinil. Eu tenho muitos lá em casa!
Tambem eu :d