Nos artigos Marketing verde e Marketing verde: não convém abusar foi abordada a questão do posicionamento das empresas e suas marcas em relação ao meio ambiente. Neste último post, um excerto do artigo «Estudo da Nielsen adverte para os perigos do marketing verde» da autoria de Filipe Pacheco, do Meios & Publicidade, referia o seguinte:
O excesso de acções de marketing ligadas ao posicionamento ecológico das marcas poderá constituir um perigo para as empresas, adianta um estudo da Nielsen, citado pelo Marketing News. A invasão de mensagens “verdes” por parte dos anunciantes, prossegue o estudo, começa a ser encarada como uma estratégia corporativa pouco eficaz tendo em conta que os “blogueiros vão condenar rapidamente este tipo de acções quando suspeitarem que as empresas distorcem o impacto das suas políticas ambientais com agressivas campanhas de relações públicas”. [...] Quando são abordadas as políticas ambientais das empresas, 25 % das conversações estabelecidas na internet giram em torno das contradições das acções de marketing das grandes companhias globais. Este é um sério aviso às marcas que estão a apostar em grandes campanhas do denominado marketing verde como a Coca-Cola, a Renault ou a Wal-Mart, que estreou esta semana a maior acção de marketing verde da sua história.
Por que razão estou de novo a bater na mesma tecla? Porque li um artigo que lança mais uma acha para a fogueira. O autor, o publicitário Luiz Alberto Pinheiro, aborda o assunto colocando um enfoque não só nas empresas mas também no papel do consumidor nestas questões.
[...] O perigo, segundo os especialistas é que as pessoas se sintam felizes com pequenos gestos e deixem de refletir sobre as mudanças substanciais que precisamos promover.
A preocupação não é infundada. Os consumidores têm se revelado contraditórios quando o tema é consumo consciente. Quer um exemplo? Pesquisa divulgada pelo IBOPE em setembro do ano passado mostrou que, apesar de 92 % dos brasileiros acreditam que reciclar lixo é uma obrigação da sociedade, e apenas 30 % desses mesmos cidadãos reciclam o lixo de sua casa Tem mais – 85 % dos pesquisados disseram que vale a pena pagar mais caro por produto que não agridem o meio ambiente, mas apenas 52 % admitem que já fizeram isso.
As práticas mais disseminadas em nosso país são aquelas que geram vantagem econômica para o individuo. Estudo recente da WWF Brasil mostrou que 87 % dos entrevistados adquiriram hábito de fechar a torneira ao escovar os dentes, 80 % desligam o computador e a TV caso não estejam usando e 54 % reduziram o tempo de banho para menos de 10 minutos. Ou seja, no que diz respeito ao meio ambiente, seguimos com o mesmo pensamento egoísta. [...]
O texto reflecte a realidade brasileira nesta problemática, mas julgo que se consegue facilmente encontrar pontos de contacto com a situação portuguesa. Mundial, diria.