Às compras no E.Leclerc
Nov 4th, 2007 por Helder Encarnação
O artigo de hoje é cópia integral de um comentário feito pela Marisa Serrenho, uma grande leitora e amiga cá do estaminé, ao anúncio da IX Semana Nacional de Marketing: Disruption Point.
Adorei o comentário e, por isso, perguntei-lhe se não poderia criar um artigo com ele. A ver se a persuado, com um elevado salário mensal, a escrever artigos… ![]()
Sem mais delongas, aqui está a obra de arte:
A propósito de Marketing, permitam-me que partilhe uma experiência que tive da última vez que fui ao Eleclerc. Mal entrei na superfície comercial comecei a ouvir uma voz feminina, em volume alto nos altifalantes, a anunciar promoções. Eu mal conseguia pensar e até disse para a pessoa que me acompanhava que parecia estarmos numa feira. Na secção do peixe avistei a dita senhora, de microfone na mão e bloco de notas, a verificar o stock e a informá-lo assim como o preço promocional. Não sei se fará muito sentido o cargo desta senhora (percorrer o hipermercado e avisar sobre as promoções e quantidades à venda). Pessoalmente deixou-me constrangida! Hoje em dia não é motivo de vergonha fazer compras numa loja económica, mas que imagem iria projectar se a cada promoção anunciada eu fosse a correr em direcção a ela. Além disso, estou num hipermercado, não numa feira ou na praça. Qual será o próximo passo, regatear o preço na Caixa?! Não sei se me faço entender, mas julgo que pelo menos as grandes superfícies não irão aderir ao “marketing cigano”. Há formas mais discretas de anunciar promoções e permitir-nos cair na tentação.
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Esta é uma prática que pensava já enterrada e com missa de sétimo dia.
Há anos esta era uma prática corrente em cadeias de supermercados que tinham os seus speakers de serviço que faziam mais “estardalhaço” que promoção dos produtos e serviços a que se destinavam.
Se pensarmos que muitas (mas mesmo muitas) pessoas fazem compras como exercicio de interiorização, outros para exorcizarem os seus fantasmas ou ainda como forma de compensação emocional, a última coisa coisa que querem é ser agredidos com o fantástico preço do carapau, ou com a promoção dos grelas espanhóis.
Estou com a autora quando afirma que não é vergonha fazer compras em lojas económicas (porque haveria de ser?) e também reconheço que os utentes (ou nestas lojas chamam-se fregueses?) sabem muito bem o que pretendem não necessitando de um espalhafatoso animador que lhes berre aos ouvidos a qualidade do berbigão.
Resido no Rio de Janeiro, onde as grandes redes de supermercados, com excessão do Carrefour e do Wall-Mart, pertencem a familias portuguesas. O animador ao microfone, fazendo algazarra e anunciando as promoções, é uma prática comum em todas as redes, tanto dos portugueses, quanto dos franceses e dos americanos. Muitos animadores ainda têm o cuidado de ressaltar que não se tratam de produtos no fim do prazo de validade - o iogurte ou a salsicha “ainda têm mais de 15 dias de validade para serem consumidos”, ressalta o animador tagarela. Mas regatear o preço no caixa, também é uma prática comum em todos os supermercados, sem necessidade de nenhuma discussão ou habilidade especial. Basta levar o folheto de promoção do cocorrente, dentro do respectivo prazo de validade, onde esteja explícito o tipo de produto, tamanho da embalagem e, é óbvio, o respectivo preço. Isto tem inclusive, um nome: chame-se “cobertura direta no caixa”. Nome simpático, não? Aguardem, pois vocês ainda vão atingir esse “grau de desenvolvimento”, e chegar lá, é só uma questão de tempo…
Olá W. Teixeira!
Muito obrigado pela visita e pelo comentário! É engraçada essa do “cobertura direta no caixa”
Um abraço