Ainda o anúncio gigante. Depois de no anterior artigo (Quer comprar um anúncio gigante?) termos aferido da importância das novas formas de promoção de produtos ou serviços face ao cepticismo dos consumidores no marketing tradicional, dando como exemplo o anúncio da Sorouh Real Estate, eis que esta empresa inovou uma vez mais. Desta feita, está a lançar uma campanha para angariar fundos para a The United Arab Emirates Red Crescent (UAERC) e, concomitantemente, para aumentar a notoriedade da empresa, juntando o útil ao agradável. Como? Pedindo às pessoas que façam o upload de uma foto tipo passe para o site – especialmente criado para o efeito – sorouhfaces.com. Por cada foto será doado 1 dólar à instituição, até um máximo de 1 milhão de dólares, equivalente, por isso, a 1 milhão de fotos. A cereja no topo do bolo: as fotos serão, no fim da acção (cerca de dois meses), colocadas no anúncio gigante. Parece que o anúncio já é recorde do Guiness como o maior do mundo; agora a empresa quer estabelecer outro máximo…
Esta é, no meu ponto de vista, uma forma extraordinária de envolver as pessoas num objectivo comum, criando reconhecimento da marca.

Consciencialização da marca
31
Out 07
Quer a sua foto no maior anúncio do mundo?
3
Set 07
Portugal Não Marca
Segundo o último relatório da The Anholt Nation Brands Index feito em parceria com a Global Market Insite, a marca nacional Portugal é a 20ª mais atractiva numa lista de 38 países. O The Anholt Nation Brands Índex é um estudo trimestral de marcas nacionais elaborado com uma base metodológica de 25,900 questionários em 35 países, elaborado através da Internet.
Segundo este artigo do jornal Público online,
“Portugal aderiu à União Europeia cinco anos depois da Grécia e ainda não conseguiu convencer o mundo de que a sua economia e governo estejam ao nível da maioria dos membros da UE” […]. Em Portugal, o sector do turismo tem, de acordo com o os resultados do inquérito, “fundações mais fracas que na Grécia”, país que aparece no 17º lugar do “ranking”.
A nossa concorrente directa e vizinha Espanha está em 12º lugar no ranking.
O país de nuestros hermanos, ainda segundo o mesmo artigo do jornal Público online,
“[…] apesar de ter aderido à UE ao mesmo tempo que Portugal, construiu uma marca mais robusta”.
A Espanha é um país maior, o que normalmente ajuda a construção de uma marca”, admite o consultor Simon Anholt, responsável pelo estudo […]
A marca que lidera o ranking é a do Reino Unido, seguida da Alemanha e da França.
Se repararmos, não são os países mais ricos que estão nas posições cimeiras. O estudo baseia-se mais nas percepções das pessoas do que em indicadores apenas económicos.
Importa que os governos se apercebam mais da importância que o Marketing poderá ter para a credibilidade e notoriedade de um país, e concomitantemente para estímulo de outras áreas vitais como a economia, por exemplo.
Como diria o Jorge Palma, “Ai, Portugal, Portugal. De que é que tu estás à espera?”
18
Ago 07
Marketing do Refrigerante em Lata
Philip Kotler, o rosto mais conhecido do Marketing a nível mundial, deu uma entrevista ao Mundo do Marketing, na qual estiveram presentes, entre outros, Ricardo Fort, Director de Marketing da Coca-Cola Brasil. Não, não vou falar outra vez da Coca-cola Zero nem da Light. Adiante.
Dos conselhos de Kotler, destaco dois que vão de encontro ao tema central deste artigo. O primeiro, advoga que os produtos devem ter uma reputação de qualidade melhor que a concorrência. O segundo, defende a sustentabilidade:
“[…] os consumidores julgarão, cada vez mais, as companhias por seu desempenho com respeito ao uso sábio e eficiente dos materiais e dos processos de produção. Os críticos atacarão aquelas companhias que são descuidadas sobre os desperdícios, os gases, os produtos químicos nocivos emitidos e assim por diante.”
Posto isto, como é que a Coca-cola – ou qualquer outra empresa deste ramo de negócio – ainda não pensou numa questão que me parece importante e que se relaciona grandemente com o dito pelo guru Kotler.
Certamente que todos nós já recebemos e-mails ou ouvimos falar sobre pessoas que morreram contaminadas com Leptospirose (doença transmitida por ratos) após terem bebido um refrigerante em lata. A maioria dessas informações sugere que a contaminação surgiria pelo facto da a lata conter vestígios de urina de ratos, que causa a temível doença.
Há quem acredite nestas histórias e quem as refute por completo. No entanto, e mesmo que só no subconsciente, a maioria de nós fica reticente e pensa duas vezes antes de comprar um refrigerante em lata.
Julgo que a primeira empresa que viesse a público dizer “Com os nossos refrigerantes não há perigo de ser contaminado por Leptospirose ou qualquer tipo de Zoonose”, teria um sucesso incrível e um boom de vendas. Bastava delinear uma campanha de Marketing forte coadjuvada por uma de Relações Públicas. Para quem não sabe, nos anos 50 ou 60 (não me recordo exactamente da data) uma fábrica americana de cerveja subiu as suas vendas rapidamente após ter afirmado publicamente: “Nesta empresa lavamos as garrafas”. Claro que isto não quer dizer que os concorrentes não as lavassem; mas o subconsciente é poderosíssimo… (Tentarei, logo que possível, colocar aqui o nome da empresa e a data exacta.)
Seguidamente bastaria às empresas tomar algumas medidas não muito dispendiosas (se considerarmos os milhões que são disponibilizados para o Marketing). Um dessas medidas poderia ser a criação de uma película que pudesse ser retirada antes de aberta a lata. Ou pelo menos criar uma abertura em que parte da lata não vá para dentro do líquido (como as antigas latas da Compal).
Já li em alguns sítios que beber por uma palhinha pode ser a solução. Mas se parte da lata já vai para dentro, que sentido faz?
Julgo imperioso que as empresas comecem a pensar nisto. Não nos podemos esquecer de casos como os nitrofuranos nas aves, em que o consumo desta carne desceu vertiginosamente. Já para não falar nas vacas loucas. É que se ocorrerem mais casos de Leptospirose, os media vão estar atentos e, depois, não bastará que venham médicos refutar tudo porque muitas pessoas deixarão de consumir os refrigerantes.
Qual a vossa opinião? Não acham que, com pouco investimento, uma empresa do ramo poderia ter um retorno enorme quer ao nível económico quer ao nível da consciencialização positiva da marca? Poderá ser uma vantagem competitiva?