Evian


3
Fev 08

Professora, afinal a água não é insípida

A notícia de que a Carlsberg vai comercializar uma cerveja que custa mais de 270 euros para concorrer com os vinhos de luxo nos restaurantes, trouxe-me à memória a minha última viagem a Espanha. Num restaurante de Fuengirola, o convidante pediu uma garrafa de água Solan de Cabras. Os portugueses na mesa estranharam quando, ao invés de água, nos trouxeram algo que mais se parecia com vodka. Mas era de facto água. Apenas estava engarrafada numa embalagem no mínimo original e tinha um preço alto. Exaltava-se, do lado espanhol, as características especiais do líquido, o seu incrível efeito benéfico e a diferença em termos de composição que tinha em relação à concorrência.
É impressionante como um marketer competente sabe sempre embrulhar os produtos com uma embalagem de sonhos e histórias que queremos e escolhemos ouvir, acreditar e divulgar, não é?
Na maioria das vezes, compramos uma história associada a um produto, não apenas o próprio produto.

Vi no outro dia na televisão que começam a existir, em Portugal, restaurantes com cartas de água, ao exemplo do que se pratica com o vinho. Longe vão os tempos em que existiam poucas opções quanto à escolha da água. Hoje, até há água com fibras solúveis que disfarçam os sintomas de fome… E já não é só a evian que se destaca pela originalidade e vontade de abraçar um nicho de mercado, com artigos como o que o Adrants mostrou. Não. A holandesa OGO, por exemplo, também nos dá uma lição de como trabalhar para um nicho.

Quando eu tinha 6 anos, a professora Cristinalda ensinou-me que a água era incolor, inodora e insípida. Professora, a água deixou de ser insípida! ;)


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