Ouvi há uns meses, em pleno auge da crise, que: “O Marketing é em grande parte responsável pelo estilo de vida consumista que se leva hoje em dia!”
Ora, como apaixonada pelo tema não pude deixar de “puxar dos meus galões e defender a minha dama”. A conversa prolongou-se, como vi prolongar em outros locais, mas terminou naturalmente com a mudança de opinião do crítico de bancada, um grande amigo. Apesar de vitoriosa, esta conversa levantou-me outro pensamento… É engraçado ver que toda gente fala de Marketing!
Nem há 10 anos atrás o Marketing era uma espécie de golfe… toda a gente sabia que existia mas o verdadeiro entendimento estava só ao acesso de alguns. Num espaço de tempo reduzido, comparado com a antiguidade do Marketing e da sua prática, este estrangeirismo passou a palavra corrente na vida de todos e toda gente tem a sua opinião. É uma verdade inegável que a globalização da informação e alargamento do acesso à Internet, mais concretamente, teve este impacto em várias áreas mas como apaixonada pelo tema não podia deixar de estar mais atenta a este caso.
Nem há 10 anos atrás, eu era parte do grupo “que sabia que o Marketing tinha a ver com os anúncios” e, apesar de sempre ter adorado apreciar um bom anúncio, nem percebia bem como se podia fazer carreira com aquilo (a minha capacidade artística não é o meu ponto forte!). Hoje em dia, debatem-se nos locais mais variados o anúncio do Pingo Doce, desde o conteúdo ao orçamento, fazem-se petições para que saia do ar e criam-se grupos no Facebook, discute-se o impacto da publicidade no consumismo, ouve-se “grande estratégia de Marketing” quando a Fulana Famosa aparece com o Sujeito Rico, dividem-se as facções em apoio à Popota ou da Leopoldina… enfim… sempre houve temas de conversa como a história, a economia, o futebol… e agora há o Marketing.
Entendo que se trata de uma evolução muito saudável, pois com tudo isto e também o aumento da concorrência a este nível, o consumidor tornou-se também mais atento, mais exigente e em resposta o Marketing mais direccionado, apurado e atrevido. Continuo a deliciar-me com campanhas de marketing, agora já para além dos anúncios de televisão, e questiono-me com agrado… será que os críticos do Marketing notam a maneira subtil como continuam a ser seduzidos por ele nos actos mais simples do dia-a-dia, agora mais do que há 10 anos atrás?