Marketing à la Charneco
Dez 5th, 2007 por Helder Encarnação
Admiro aquelas pessoas que fazem marketing naturalmente. Não precisam de estudar o conceito e todos os seus componentes, recorrer a livros da especialidade, auscultar conselhos do Kotler, fazer benchmarking, ler blogues, o diabo a sete.
Nada. É tudo natural.
Um desses exemplos é um magnífico restaurante que conheço chamado O Charneco. Localiza-se em Estombar, uma vila algarvia instituída a meio caminho entre Lagoa e Portimão. Charneco é o apelido do dono do estabelecimento, anfitrião sorridente e sempre presente na recepção aos seus clientes.
Porque razão ficou este local sobejamente conhecido? Por duas razões essenciais: a primeira, porque é muito bom. A segunda deve-se a um hábito do seu proprietário.
Ao invés do trivial Bom apetite, o Charneco desejava (não sei se continua a desejar) a alguns seus amigos clientes um estridente porém afectuoso “Comam cabrões!”. (No Algarve, cabrão não tem sempre um sentido pejorativo. Só o ganha quando coadjuvada por um tom de voz ríspido e situação adversa em que é empregue, obviamente. Per si não é tido como um palavrão. A propósito, leiam o artigo Outra pronúncia de Valdemar Cruz ao Expresso do dia 1 de Novembro de 1998, aqui reproduzido no Ciberdúvidas.)
A frase – convenhamos que sui generis e, ainda por cima, dita por um responsável de um estabelecimento – tornou-se tão popular que o Charneco viu-se obrigado a fazer t-shirts com a célebre expressão. Com isto, granjeou ainda mais popularidade. Mas não se ficou por aqui: decidiu conquistar outros mercados. Adquiriu mais camisolas a dizer “Eat you motherf***ers”. O sítio foi ganhando ainda mais fama. Como bom marketer, o Charneco não descurou da qualidade do seu restaurante em virtude do sucesso: continuou, paulatinamente, a melhora-lo.
Ao almoço, o restaurante mantém o seu carácter Casa de Pasto; ao jantar, ganha um contorno mais fino: por um preço fixo de € 20 (um pouco mais caro que o almoço), temos à escolha uma grande variedade de entradas tradicionais, prato principal, vinho, sobremesa, café.
A comida é deliciosa. Vale mesmo a pena uma visita.
Já agora, leiam o artigo Restaurante Charneco – Estombar: Sem escolha do freguês que Mafalda César Machado fez para o Lifecooler.
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O impagável Charneco, bem soube levar a água ao seu moinho com esse achado de slogan, (Cômem aí cabrões) que só pode ser dito por um individuo com o porte que Charneco tinha. Perto de 2 metros de altura e mais de 120 Kilos de peso. Quem é que podia levar a mal tão presenteiro “bom apetite”?
Julgo mesmo que os clientes normalmente quezilentos, eram e são, no Charneco do mais sociável que possa haver. Isto por motivos óbvios!!
Para além do “armário” que o Charneco era ( agora já perdeu umas dezenas de quilos) é bom dizer que a comida é absolutamente divinal e que é servida de modo eficaz pelo seu braço direito: a alentejano Manel.
Como estou identificado e não tenho o tamanha do Charneco, não me posso atrever a levar uma “tuna de porradas” de um de vocês.
Por isso não vos posso dizer ” vão lá comer cabrões” só vos digo que passem por lá e degustem o que este bom gigante tem para oferecer.
Não se aborreçam se alguém vos aparecer por trá e desejar bom apetite de uma forma assim um bocado para o enchifrado!
[...] serve gastar mundos e fundos em marketing se o que têm para vender não é bom? Eduardo Santos é daquelas pessoas que fazem marketing naturalmente. Não precisou de estudar o conceito e todos os seus componentes, tampouco recorrer a livros da [...]
[...] também gosto desta abordagem despreocupada porém simultaneamente atenta. Desde visitas a adegas; jantares no Charneco; idas ao cinema; conversas na cabeleireira… enfim, tudo serve para incentivar a escrita. Basta [...]
Ola a todos.
Helder td bem? “Comam cabrões” é genial …
O cliente nos dias de hoje apreciam a honestidade. Estão fartos de lérias. Estão fartos dos que falam muito e não dizem nada. Preferem aqueles que os tratam por “tu”, e que dizem: !gosto de os ter por cá, meus cabrões”, ou “vocês para mim são como meus filhos … f da se, dá cá um abraço ….”.
É assim que se vende. Ultimamente quase nem falo do produto que vendo, tento primeiro que tudo, cativar o cliente (oferecr café, água, baixando o ar condicionado), perguntar onde mora (que giro, mora na terra da minha prima … tudo treta), e só ao fim de 30 min ou 1H de conversa da treta é que falo do produto.
Digo ao ciente: “este produto não vale um corno (mesmo assim), não é indicado para uma pessoa com o seu nível (baixo, haha), não o quero influenciar, mas como sei que este não presta e aquele é que é bom para si, aconselho, mas nem me preocupo que não compre, o que quero é que se sinta em sua casa”.
Além de sermos honestos, e tratar as coisas pelos nomes (à tuga), devemos afastar a venda. Mostrar que esse não é o nosso objectivo, mas sim, o tratar bem e o receber bem o cliente na loja. Cada vez mais, me convenço que é assim que se vende …
É pena que a administração da empresa não pense dessa forma, mas sim: “à sim … pois tá bem … vamos mas é vender e deixa-te de lérias!!”. Nem percebem como é que as vendas surgem, pensam que é por andar a tras do cliente, ou por pressionar, que vamos vender alguma coisa.
Continua … Vais longe!!
Gosto da forma como abordas os temas. Descontraidamente e com alguma ironia à mistura. Simples, engraçado e eficaz.
Abraços,
Artur
Artur,
Os pontos em comum que se estabelecem com um potencial cliente são meio caminho andando para uma venda bem sucedida.
Não se trata de pressionar o cliente, mas sim incutir o carácter de urgência na acção que queremos que ele tome, bem como colmatar da melhor forma a necessidade que o consumidor tenha em relação ao produto que vendemos.