Marketing alimentar responsável?
Set 29th, 2008 por Helder Encarnação
Li na TSF que a Deco Proteste desaconselhou o consumo diário de cereais para as crianças porque, segundo um estudo, são os que apresentam maiores quantidades de açúcar.
Diz-nos também o artigo:
A Deco deixou o conselho para que não se faça um consumo diário de cereais, porque todas as marcas apresentam açúcar em excesso.
A partir desta segunda-feira e até dia 16 de Outubro, Dia Mundial da Alimentação, a Deco lançou uma campanha que tem como objectivo um marketing mais responsável e que inclui uma linha gratuita que oferecerá conselhos de nutricionistas.
«A publicidade que é feita à volta destes alimentos dirigidos às crianças é, de certa forma agressiva, através dos jogos, dos brindes, o que os leva, muitas vezes, a influenciar os próprios pais na hora da compra. O que pretendemos é um marketing mais responsável para que haja uma regulamentação que imponha algumas regras no que respeita ao marketing alimentar dirigido aos mais pequenos», concluiu a técnica da Deco.
Recorde-se que no site da Deco Proteste encontra-se, desde Março, a campanha marketing alimentar responsável, que busca essencialmente legislação que limite o marketing e a publicidade a produtos alimentares para crianças com pouco interesse nutricional.
Na página pode ler-se:
Estudos comprovam que o marketing e a publicidade aos produtos alimentares para crianças afectam as suas preferências, condicionam a decisão de compra da família e os hábitos de consumo. As crianças são bastante atraídas por alimentos de marca, que vendem a imagem de super-heróis e artistas, ou oferecem brindes, jogos e tatuagens. Mas muitos destes alimentos têm excesso de gordura, açúcar e sal.
O contributo de todos será reunido num dossiê para entregar aos Ministérios da Economia, Saúde e Educação.
Digam de vossa justiça: o que pensam de campanhas dirigidas a públicos alvo inegavelmente influenciáveis como o das crianças? Haverá aproveitamento da inocência infantil através de estratégias pouco éticas de lucrar?
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As crianças representam um segmento de mercado muito atractivo, uma vez que elas independentemente de serem crianças, são também consumidoras “indirectas” ao princípio e “directas” quando atingem os 2 ou 3 anos de idade. Posto isto, é normal que elas sejam “bombardeadas” com campanhas publicitárias da mais variada ordem, desde fraldas até comidas para bébé e até brinquedos, campanhas estas que são cada vez mais agressivas e que decerto trazem grandes lucros.
Creio que no Reino Unido no ano passado foi tentada a aprovação de uma lei que restringia a publicidade a públicos menores de uma certa idade, mas não tenho certeza se esta foi aprovada ou não.
A minha opinião quanto a esta temática já se faz notar nos parágrafos anteriores não só nas palavras que se encontram em aspas, mas também pelo tom que estas adquirem. Haverá muito mais a dizer, mas entretanto necessito de me debruçar mais sobre o assunto antes de avançar mais nas minhas “críticas”.
Entretanto, fico à espera de mais comentários a este artigo bem interessante.
Obrigado pelo comentário Diogo.
Muitas marcas colocam o enfoque nas crianças até mesmo quando querem vender produtos aos pais. E, quando os produtos são mesmo para as crianças, são os pais que compram, não é verdade? A questão é: há falta de ética neste tipo de situações?