O carimbo
Mar 3rd, 2008 por Diogo Afonso
Creio que todos nós, numa altura ou noutra, já estivemos numa situação em que se usou um carimbo.
Quer na nossa infância como objecto de brincadeiras (isto para quem tem mais de 20 anos) ou então no quotidiano, o carimbo era bastante usado. Este objecto tinha (e tem) o poder de conferir credibilidade, segurança, respeitabilidade tanto a quem o usa, como a quem beneficia do seu uso.
Após uma conversa com o meu amigo Hélder Encarnação há uns meses, em que o tópico da conversa era o atendimento aos clientes, veio à baila o uso do carimbo como forma de transmitir aquela segurança e credibilidade de que vos falei há pouco, sendo que foi essa mesma conversa que me levou a trazer-vos este artigo.
Não sei se já vos aconteceu, mas quando estamos a tratar de papelada, ou a comprar algo, se a pessoa à nossa frente sacar de um carimbo e usá-lo no nosso recibo ou factura, a coisa ganha logo um ar muito mais… digno. Passo a explicar: Creio que nos sentimos todos mais seguros quando temos um papel carimbado, não acham?
O carimbo certifica-nos e detém uma superioridade própria que nem os modernos computadores quase omnipotentes de hoje em dia possuem.
Mas ao mesmo tempo pergunto: como é que um objecto que já tem mais idade do que sei lá o quê ainda detém tanto poder na sociedade dos nossos dias? Será que é o acto de pegar no carimbo, molhá-lo na tinta e depois aplicá-lo energicamente contra a folha, que resulta num estrondo na mesa e que ressoa nos nossos ouvidos, que faz com que ressoe também no nosso imaginário há anos? Será que neste mundo de constante mudança e evolução tecnológica há ainda uma necessidade de nos mantermos agarrados ao passado, desta feita por via de um objecto aparentemente tão simples como um carimbo?
Aguardo as vossas respostas a este artigo, a ver se podemos desmistificar esta “problemática”…
Se é novo por aqui, subscreva o feed RSS do blog. Obrigado pela visita!
Carimbo, que discussão estranha…
A imagem que eu tenho do carimbo é a da repetição. Não me sinto mais seguro com documentos carimbados, tanto faz. Aliás, um carimbo me parece algo como a figura maior da impessoalidade.
Mais ou menos como aquelas vozes do telemarketing. Não estamos falando com pessoas, mas com objetos. Como o carimbo. Ele está lá, carimbado igualzinho em todos os documentos. E pronto!
Abraço!
Acho que as pessoas têm mais confiança nas coisas por estarem carimbadas. Mas concordo com o Rodrigo quando ele fala de telemarketing. Às vezes é mau.
Obrigado pela visita Rodrigo!
Julgo que o carimbo ainda detém uma importância primordial ao nível da confiança que o nosso subconsciente atribui a determinado documento. Faz-me lembrar a emergência do e-mail: muitas empresas evitavam o e-mail e preferiam fax. Muitas por receio, é certo, porém outras tantas por julgarem o fax de maior confiança.
E o problema das vozes do telemarketing passa por raramente mudarem os discursos e as tácticas de venda e/ou divulgação do produto.
Antes de mais, quero agradecer todos os comentários ao meu post. à semelhança do telemarketing, o carimbo será daquelas referências practicamente imutáveis. Porém, acho que o carimbo ainda está cá para ficar, pois neste mundo de novas tecnologias (facilmente copiadas e que trazem um transtorno do caraças), há necessidade de termos algo em que confiar, algo “old school” , se me permitem o estrangeirismo, que nos transmita aquela sensação de segurança de que falei no artigo.
Cumprimentos a todos!
“old school”… LOL
Por acaso nunca me tinha debruçado sobre o assunto, mas na minha opinião acho que o carimbo funciona como a assinatura de uma instituição ou o aval da mesma, conferindo assim uma maior credebilidade ao documento em causa, tanto que praticamente todos os documentos de maior importância necessitam de um carimbo, como o B.I, pasaporte, escritura de um casa… Confesso que no meu caso, tenho maior confiança num documento carimbado, inconscientemente, julgo ser um sinónimo de compromisso, de selamento de algo. Principalmente hoje em dia em que as pessoas têm dificuldade em confiar umas nas outras, e com crescimento da tecnologia que de alguma forma veio tornar as relações humanas um pouco mais frias e distântes, estas têm necessidade de se apegarem a algo mais físico, mais “real” , daí se apegarem a algums modos do passado.
Penso que o carimbo dá um maior sentimento de Segurança, visto ser algo que foi propositadamente efectuado.
E essa segurança, necessitamos.
Por exemplo quando mudei para Dublin e aluguei um quarto..paguei 500 brasas de deposito e niguem me deu um documento carimbado…e nao gostei nada:)
[...] Março 5th @ 0:41 por Helder Encarnação O Diogo escreveu um post muito bom no meu blogue de marketing. Aqui fica um pequeno excerto que demonstra bem a criatividade [...]
Afinal é obrigatorio ou não o uso do carimbo, para ser mais explicito existe alguma lei que obriga-me a ter carimbo como empresário ou empresa
Olá Vitor,
Infelizmente não poderei ajuda-lo. Não sei responder à sua questão. O autor deste artigo também não lhe sabe esclarecer.
O uso do carimbo é supostamente obrigatório em papéis que necessitem de autenticação. Quando digo supostamente, quero dizer que nem sempre este é utilizado. No meu caso, como trabalho numa agência de viagens, o carimbo é necessário para muitas coisas, mas já aconteceu muitas vezes, mesmo se não o utilizarmos, não acontece nada…
Infelizmente não tenho informação acerca da legislação por detrás de toda esta situação…