O negócio do vil metal
Set 26th, 2007 por Napoleão Mira
Se há negócio florescente nos dias que correm é a banca. Todos os dias nascem novos balcões nos sítios mais recônditos e a batalha pela conquista de clientes está cada vez mais ao rubro.
A banca em Portugal recolheu nos últimos anos lucros fabulosos, fruto de uma política de grande dinâmica, mas também originando um clima de salve-se quem puder.
Na pequena povoação em que vivo, abriram recentemente mais dois bancos, e mais dois estão planeados para aqui assentar arraiais, o que faz com que uma pequena localidade de não mais de 2.500 habitantes passe de repente a ter 6 instituições bancárias (e num futuro próximo 8), que no seu dia a dia têm que se digladiar por conseguir a sua quota de mercado.
Hoje fui abordado telefonicamente por duas entidades bancárias, que me afiançavam ter sido contemplado com um crédito de um valor que não havia pedido ou necessitado.
No mesmo dia, tentei fechar uma conta com outra instituição, fi-lo por telefone, primeiro veio o funcionário do call center, depois veio o seu superior imediato que por sua vez ainda chamou o director que finalmente me demoveu da minha intenção suicida de fechar a conta em tal prestimosa entidade, oferecendo-me para o resto da minha vida a anuidade gratuita do meu cartão de crédito e ainda uma percentagem da facturação que fizer a creditar no extracto do mês seguinte.
No mesmo dia recebi por correio um cheque de uma outra instituição insinuando que o poderia depositar na minha conta o valor astronómico com que me presenteava.
Concordo que deva haver uma dinâmica própria, mas a coisa começa a roçar a agressividade o que me deixa algo surpreendido, até porque a banca sempre foi algo conservadora nos métodos de abordagem, estando agora a utilizar processos que há bem pouco tempo seriam impensáveis.
De qualquer modo o negócio do “vil metal” veio para ficar e multiplica-se agora fisicamente em cada esquina, em cada aparelho de telefone ou em cada terminal de computador, locais esses, onde os mais incautos estão à mercê das técnicas mais sofisticadas de modo a que não cheguemos a ver a cor do nosso dinheirinho.
Bertol Brecht disse um dia: Se é crime assaltar um banco, crime maior será abrir um banco!
O que acham?
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