Certamente está recordado daquela figurinha magra, de óculos redondos, blusa e gorro às riscas brancas e vermelhas, oculta no meio da multidão. Pois bem, nos tempos de hoje o Wally é a sua marca, e é seu dever facilitar a sua descoberta pelo público, no meio de todo o ruído e esplendor publicitário. Como? Inovando! Inove no produto, no preço, na distribuição e sobretudo, inove na comunicação. O reconhecimento desta realidade está na origem dos novos conceitos de marketing: buzz marketing, viral marketing, guerrilla marketing. O foco é a relação do cliente com a marca.
Os consumidores percebem cada vez menos diferenças reais entre produtos e mostram menos fidelidade em relação às marcas, por isso torna-se essencial estabelecer uma ligação com eles, o que me leva a propor a consideração de quatro conceitos na comunicação da marca: Technology, Tribe, Trust, Talent e Time.
Os novos avanços tecnológicos (Technology) possibilitam uma maior interacção e respostas com efeito imediato (e.g. compras on-line). Por outro lado, introduziram alterações no perfil do consumidor. Assistimos ao primado da Geração C (C de conteúdo e conectividade), gente jovem que já domina a tecnologia e que para além do acesso é igualmente produtora de informação. Os novos meios (blogs e fóruns) potencializaram a proximidade entre consumidores (Twitter, Facebook, MySpace), conduzindo ao surgimento de redes sociais (Tribe). As redes sociais permitem (re)descobrir os nossos clientes e (re)definir a nossa marca. Cabe aos marketeers saber gerir a informação de forma favorável. A fórmula é simples: a uma base de informação, misture humor e novidade, coloque numa plataforma acessível e deixe assentar. Repare como o mercado fará o seu bolo crescer, isto é, como após ter absorvido os seus valores irá transmiti-los aos restantes elementos. No fundo as redes sociais são formas de optimização do método mais antigo e eficaz de comunicação: o passa-palavra. Arrisco-me a traçar as suas origens até à época das festas da Tupperware. Desde cedo que se reconhece a importância de dar um enquadramento à nossa oferta, um contexto para a transmissão dos valores da nossa marca. Neste processo de “evangelização”, a confiança (Trust) é a palavra-chave. A informação deve ser fidedigna e veiculada por fontes a quem se atribua credibilidade, nomeadamente a outros consumidores.
Seguindo uma abordagem integrada, devemos ainda estender os nossos esforços à mobilização dos nossos colaboradores (Talent) para que sejam a expressão da identidade da marca, visando a optimização da relação com o cliente em todos os touch points para além do contacto virtual.
“Time” porque “the moment is now”. Vivemos cada vez mais ao segundo, não há tempo para longos processos de planeamento, o mundo está em constante mudança, num dia é-se um herói e noutro já se está ultrapassado (como o fenómeno Susan Boyle impulsionado pelo Youtube, que encontrou rival em Jamie Pugh).
As novas tecnologias apenas constituem uma ameaça para quem não souber tomar partido delas. Mas se está a ler este blog é bom sinal!