Subscreva
Posts
Comentários

Quero partilhar convosco uma situação que presenciei ontem. Fui com uns amigos lanchar a uma pastelaria. Na mesa ao lado, o cliente pediu uma Coca-Cola Light. Trouxeram-lhe o refrigerante em lata. O freguês foi peremptório; rejeitou a bebida imediatamente afirmando que a preferiria em garrafa ou de pressão. Não havia. Falou da doença dos ratos e dos perigos de beber bebidas em lata e foi-se embora.
Lembrei-me do post que escrevi há uns meses: Marketing do Refrigerante em Lata, do qual deixo aqui um pequeno excerto:

[…] como é que a Coca-cola – ou qualquer outra empresa deste ramo de negócio – ainda não pensou numa questão que me parece importante [… .] Certamente que todos nós já recebemos e-mails ou ouvimos falar sobre pessoas que morreram contaminadas com Leptospirose (doença transmitida por ratos) após terem bebido um refrigerante em lata. A maioria dessas informações sugere que a contaminação surgiria pelo facto da a lata conter vestígios de urina de ratos, que causa a temível doença.
Há quem acredite nestas histórias e quem as refute por completo. No entanto, e mesmo que só no subconsciente, a maioria de nós fica reticente e pensa duas vezes antes de comprar um refrigerante em lata.
Julgo que a primeira empresa que viesse a público dizer “Com os nossos refrigerantes não há perigo de ser contaminado por Leptospirose ou qualquer tipo de Zoonose”, teria um sucesso incrível e um boom de vendas. Bastava delinear uma campanha de Marketing forte coadjuvada por uma de Relações Públicas. Para quem não sabe, nos anos 50 ou 60 (não me recordo exactamente da data) uma fábrica americana de cerveja subiu as suas vendas rapidamente após ter afirmado publicamente: “Nesta empresa lavamos as garrafas”. Claro que isto não quer dizer que os concorrentes não as lavassem; mas o subconsciente é poderosíssimo… […]

Se é novo por aqui, subscreva o feed RSS do blog. Obrigado pela visita!

Quando me foi solicitado que indicasse onde me inspiro para a elaboração dos posts deste meu espaço virtual, referi, entre outros, a importância dos blogues que não falam de marketing. Para mim, são de facto tão úteis quanto os que são sobre a matéria que neste cantinho se debate. Gosto de ler nas entrelinhas e descortinar pontos de vista que possa utilizar cá no estaminé.
E hoje dei de caras com um post do grande Nuno Markl (estou neste momento a fazer-lhe uma vénia) que tem tanto de marketing como daquele humor extraordinário com que habitualmente nos presenteia.
Eis o excerto-quase-cópia-integral da entrada Crítica: Sumol de Morango do seu blogue Há Vida em Markl, que tem tudo a ver com marketing:

A indústria dos refrigerantes e a nossa própria relação de seres humanos com a fruta veio criar estranhas verdades na nossa mente, verbalizadas de forma consistente pela funcionária do supermercado que me atendeu na caixa. Dizia ela, enquanto registava a fascinante garrafa na máquina: “Tenho vontade de experimentar isto, mas é estranho. Laranja com gás, tudo bem. Agora morango…” Concordei, com a convicção de quem tem a certeza que a fruta já vem da laranjeira com o gás dentro. Morango com gás? Freak. Laranja com gás? Perfeitamente normal. […]
No rótulo, utilizam-se as palavras “EDIÇÃO ESPECIAL”, seguindo uma tendência recente de outros tipos de sumo. A palavra “edição” remete o produto para a área da cultura, proporcionando ao consumidor mais bronco a sensação mais próxima que ele terá de comprar um livro. Se alguém lhe perguntar o que é que ele anda a ler, esse consumidor poderá responder, confiante, “o Sumol de morango”. Não estará a mentir, porque há muito que ler no rótulo desta bebida, nomeadamente isto:
Sumol de Morango & Morangos com Açucar
Ah! O perfeito tie-in: Sumol de morango, Morangos com Açúcar. Ainda bem que o acordo foi com a TVI e não com a SIC: se morangos com gás é bizarro, flores com gás seria francamente perturbante. A garrafa anuncia a possibilidade de jantarmos com os Morangos com Açúcar, num concurso que, sublinha-se, é exclusivo para Portugal. Acredito que sim: só ter de pagar o jantar àquela malta toda dos Morangos já deve ser uma maçada para a Sumol; ainda por cima ter de pagar a viagem a um islandês qualquer para vir jantar com a malta dos Morangos - impraticável. Devo dizer que estes prémios “jantar com” não são grande espingarda. […]
Para que é que uma pessoa há-de querer uma reprodução rigorosa de fruta dentro de uma garrafa se pode, facilmente, comer morangos reais? Um gourmet de refrigerantes não protesta contra o artificialismo da bebida. Aceita-o. Regozija-se com ele. Chafurda nele (esta parte já é capaz de deixar um indivíduo peganhento; é melhor não). Ninguém vai a um restaurante à espera de comer aquilo que pode facilmente comer em casa. Da mesma forma, ninguém avança para um refrigerante à espera de ingerir fruta fresca acabada de colher da árvore.

Espectacular! ;)

Um artigo que li no Sol acautela: Sites «amigos» das crianças «manipulam» os mais jovens.

E cito:

Um estudo lançado pela Consumer Reports WebWatch e a Mediatech Foundation concluiu, segundo o portal Vnunet, que é comum as crianças a partir dos dois anos e meio irem à Internet e que os portais mais populares entre os mais jovens são «moderadamente» ou «muito» comercializáveis.
Os investigadores constataram que a maioria dos sites, incluindo os jogos on-line, promove a ideia de consumismo.
A técnica mais utilizada segue o modelo «recompensar pelo trabalho», premiando as crianças com pontos, moedas ou notas que podem ser utilizadas para «comprar» itens, como roupa, maquilhagem, televisões e outros acessórios, para os seus animais de estimação ou avatars virtuais.
O relatório refere ainda que os websites atormentam frequentemente as crianças, apresentando-lhes opções aliciantes e até ameaçando que as suas criações on-line vão deixar de ser acessíveis se não se efectuar um pagamento.
«As crianças adoram ir à Internet» e existem «exemplos de conteúdos on-line de qualidade», afirmou Warren Buckleitner, editor da Children’s Technology Review e autor do relatório.
«Mas após assistir a dez horas dos típicos jogos on-line, nós ficamos chocados com a extensão do comportamento manipulativo existente», acrescentou Warren Buckleitner. […]

Se as empresas já conseguiam cativar a atenção das crianças através de campanhas dirigidas a outro tipo de targets, imagine-se assim…
O que pensam destas acções dirigidas a públicos alvo incontestavelmente influenciáveis como o das crianças? Haverá aqui um excesso de aproveitamento da candura infantil através de estratégias pouco éticas de lucrar?

Já assistimos aqui no blogue a ideias originais que algumas pessoas poderão considerar geniais e outras nem por isso…
Vimos casos como o de Joe Tamargo que vende o seu corpo a empresas através de tatuagens de websites, ou Epi Taione que vendeu o seu nome ao patrocinador.
O post de hoje reflecte esta tendência de fugir ao trivial.
Seguramente que a maioria dos leitores cá do estaminé já foi a uma discoteca, festa ou concerto onde um carimbo é aplicado na nossa mão.
E se essa indicação fosse utilizada para mais alguma coisa? É aqui que surge a empresa americana Handvertising, cuja vertente de negócio gira em torno da criação de carimbos personalizados para situações como a descrita acima. O objectivo é promover determinada marca de uma forma inédita.
Vejam um dos exemplos:

Handvertising: Coca-Cola

E esta, hein?

Li no Marketing Alternatif sobre uma acção recente da McDonald’s. Trata-se de um original outdoor interactivo, produzido pela agência DDB de Estocolmo, destinado à promoção do café “grande” por 1 euro da mais conhecida cadeia de restaurantes fast-food do mundo.
Sob o slogan “Sort your head out” (traduzindo obtemos algo como “Ordene a sua cabeça”), este “grande cartaz de rua” é nada mais nada menos que um puzzle com uma imagem de uma face que podemos ordenar.
A campanha é de facto muito boa.

McDonald’s: Puzzle outdoor

Fechar
E-mail It