Philip Kotler, o rosto mais conhecido do Marketing a nível mundial, deu uma entrevista ao Mundo do Marketing, na qual estiveram presentes, entre outros, Ricardo Fort, Director de Marketing da Coca-Cola Brasil. Não, não vou falar outra vez da Coca-cola Zero nem da Light. Adiante.
Dos conselhos de Kotler, destaco dois que vão de encontro ao tema central deste artigo. O primeiro, advoga que os produtos devem ter uma reputação de qualidade melhor que a concorrência. O segundo, defende a sustentabilidade:
“[…] os consumidores julgarão, cada vez mais, as companhias por seu desempenho com respeito ao uso sábio e eficiente dos materiais e dos processos de produção. Os críticos atacarão aquelas companhias que são descuidadas sobre os desperdícios, os gases, os produtos químicos nocivos emitidos e assim por diante.”
Posto isto, como é que a Coca-cola – ou qualquer outra empresa deste ramo de negócio – ainda não pensou numa questão que me parece importante e que se relaciona grandemente com o dito pelo guru Kotler.
Certamente que todos nós já recebemos e-mails ou ouvimos falar sobre pessoas que morreram contaminadas com Leptospirose (doença transmitida por ratos) após terem bebido um refrigerante em lata. A maioria dessas informações sugere que a contaminação surgiria pelo facto da a lata conter vestígios de urina de ratos, que causa a temível doença.
Há quem acredite nestas histórias e quem as refute por completo. No entanto, e mesmo que só no subconsciente, a maioria de nós fica reticente e pensa duas vezes antes de comprar um refrigerante em lata.
Julgo que a primeira empresa que viesse a público dizer “Com os nossos refrigerantes não há perigo de ser contaminado por Leptospirose ou qualquer tipo de Zoonose”, teria um sucesso incrível e um boom de vendas. Bastava delinear uma campanha de Marketing forte coadjuvada por uma de Relações Públicas. Para quem não sabe, nos anos 50 ou 60 (não me recordo exactamente da data) uma fábrica americana de cerveja subiu as suas vendas rapidamente após ter afirmado publicamente: “Nesta empresa lavamos as garrafas”. Claro que isto não quer dizer que os concorrentes não as lavassem; mas o subconsciente é poderosíssimo… (Tentarei, logo que possível, colocar aqui o nome da empresa e a data exacta.)
Seguidamente bastaria às empresas tomar algumas medidas não muito dispendiosas (se considerarmos os milhões que são disponibilizados para o Marketing). Um dessas medidas poderia ser a criação de uma película que pudesse ser retirada antes de aberta a lata. Ou pelo menos criar uma abertura em que parte da lata não vá para dentro do líquido (como as antigas latas da Compal).
Já li em alguns sítios que beber por uma palhinha pode ser a solução. Mas se parte da lata já vai para dentro, que sentido faz?
Julgo imperioso que as empresas comecem a pensar nisto. Não nos podemos esquecer de casos como os nitrofuranos nas aves, em que o consumo desta carne desceu vertiginosamente. Já para não falar nas vacas loucas. É que se ocorrerem mais casos de Leptospirose, os media vão estar atentos e, depois, não bastará que venham médicos refutar tudo porque muitas pessoas deixarão de consumir os refrigerantes.
Qual a vossa opinião? Não acham que, com pouco investimento, uma empresa do ramo poderia ter um retorno enorme quer ao nível económico quer ao nível da consciencialização positiva da marca? Poderá ser uma vantagem competitiva?
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