Racionalização da experiência turística
Fev 19th, 2008 por Helder Encarnação
Está a pensar em elaborar um plano de marketing para o sector turístico? Importa compreender, primeiro, os vectores da experiência turística.
A experiência turística baseia-se na subjectivação (agir), retorização (discursividade) e institucionalização (práticas).
A subjectivação diz respeito aos desejos, memórias, paixões que vão influenciar o indivíduo na sua experiência.
São essas formas de subjectivação que vão fazer com que o indivíduo não seja dominado pela sua racionalidade, impondo-se a dicotomia trabalho/ prazer, emoção/ racionalização, entre outros.
Por seu lado, a retorização refere-se aos discursos que conferem aos espaços significados com a utilização de linguagens de transformação simbólica e instrumental através da sua descrição estética e poética. Os espaços turísticos transformam os lugares em cenários, transformação essa que é realizada a partir do nosso imaginário e de imagens estereotipas que não correspondem à realidade. Assim, é necessário compreender como se interligam o simbólico, o imaginário e o instrumental.
O imaginário corresponde à representação algo abstracta e difusa que o indivíduo possui e não a ideias. É o imaginário que vai originar o espaço turístico.
Por sua vez, o simbólico encarrega-se de atribuir símbolos aos objectos de forma a controlar o imaginário.
E, finalmente, o instrumental que se designa pela publicidade e divulgação que se faz em prol de um bem e serviço e pela mercantilização da cultura, ou seja, à transformação do património cultural e histórico em produto turístico.
E a institucionalização/ objectivação que diz respeito ao controlo do indivíduo através de práticas e condutas, recoberto por mediações simbólicas das formas institucionais para que o imaginário dos sujeitos corresponda às lógicas destas.
Assim, há um agenciamento da experiência turística e turistificação dos espaços através da exploração e manipulação de factores indissociáveis à existência humana (os desejos, sonhos, medos) tendo em consideração os processos de simbolização que transformam o pensamento em objecto/ representação. Deste modo, surge o termo turista e a sua divisão de acordo com os interesses e classe social.
Texto do estudo “Folclore algarvio: expressão de identidade local ou espectacularização mediática?”.
Autores: Helder Encarnação, Laura Silva e Sílvia Pedro.
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Parabéns. Gostei muito do vosso estudo. Já estudei antropologia mas nunca tinha visto a vertente do turismo.