Um objecto de desejo chamado iPhone
Jul 13th, 2008 por Helder Encarnação
Foi anteontem lançado oficialmente em Portugal o afamado iPhone. Eu até estava a preparar um artigo para a ocasião, mas o Paulo Querido, com o seu fabuloso ISHEEP, fez-me enviar 90% do meu rascunho directamente para o lixo. Da perspicaz visão que conferiu ao seu post, cito um pequeno excerto:
Steve Jobs é que sabe. É o verdadeiro hacker. Com base apenas em engenharia social, coloca a imprensa mundial a promover as vendas de um telemóvel caríssimo sem lhe pagar um cêntimo em publicidade e convence um rebanho incrivelmente dócil a 1) espalhar a messiânica mensagem e 2) a comprar um aparelho para o qual não tem dinheiro, nem agora nem para as mensalidades, julgando que é uma pechincha. […]
Os poucos que ainda são capazes de colocar os neurónios a bulir pensam, afinal custa caro, mas que se dane, EU TENHO DE TER uma coisa destas.
Está tudo justificado. Jobs tratou disso.
É de facto impressionante como o marketing da Apple funciona tão bem. É muito jogo. Fazer com que um objecto que congrega tecnologias e funcionalidades que já existiam no mercado pareça algo absolutamente novo e original, não está ao alcance de todos.
Steve Chazin, um antigo colaborador da empresa de Steve Jobs, afirma no seu eBook:
Nunca seja o primeiro a chegar ao mercado. A Apple nunca inventou nada de novo. Não inventou o PC, o leitor de mp3, a música digital, e certamente não inventou o telemóvel. O Mac, o iPod, o iTunes e o iPhone têm sucesso porque chegaram tarde ao mercado e melhoraram as funções e o design de produtos já existentes. [...]
A Apple fez com que o iPhone se tornasse um objecto de desejo. E o preço não reflecte uma simples estratégia de desnatação.
Acreditem: muitas vezes adquirimos produtos com base na imagem que queremos projectar de nós próprios a nós mesmos e aos outros. Se vos perguntarem que carro gostariam de ter, muitos de vós responderão nomeando marcas, não é? ![]()
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Obrigado pelas gentis palavras
Sim, também acho que o preço está para além da desnatação. Quanto mais olho, mais vejo o processo eu diria científico de avaliar até quanto pode o mercado (os iSheep que são o principal rebanho consumidor da primeira vaga dos produtos) esportular. Daí que demore tanto à Apple fixar um preço. Que só é fixado no limite dos prazos.
Outra ilusão que não vale a pena ter: a de que o iPhone representa um bom negócio para as operadoras. Em Portugal ainda é um pouco verdade tendo em conta a situação prática de oligopólio, que torna as tabelas de preços e a “concorrência” em mistificações. Mas mesmo elas estão sujeitas à estratégia da Apple, não tendo margem de manobra.
Obrigado eu Paulo! É uma honra tê-lo por cá.
Esse ponto de vista em relação às operadores dá que pensar. Até aí a Apple passa incólume; as culpas são quase exclusivamente atribuídas às operadoras.