Uma aventura na adega ou como arruinar um negócio
Nov 9th, 2007 por Helder Encarnação
Ontem fui até ao Alentejo. Eu e a minha namorada tínhamos ideia de passar em Entradas para ver o nosso parente Napoleão. Chegados a esta encantadora vila, ligámos ao nosso – sem ele saber – anfitrião. Não estava lá. Encontrava-se mais um seu amigo na herdade da Malhadinha Nova, uma propriedade magnífica onde é fabricado seguramente dos melhores vinhos alentejanos.
Disse-nos para aguardarmos um pouco que já viria ao nosso encontro. Assim foi. Apanhou-nos à porta de sua casa e dirigimo-nos à herdade. Lá chegados, provámos um admirável Antão Vaz que, apesar de não ser tinto, me agradou sobremaneira.
Adiante.
Como o objectivo era visitar várias adegas, lá nos metemos no carro e partimos à aventura.
E aqui começa a relação entre o artigo e o Marketing.
Chegámos a outra propriedade da qual não vou dizer o nome (já perceberão porquê).
O Napoleão abordou a senhora da loja de vinhos. Ela soprou, com um ar de aborrecimento, como resposta ao “boa tarde” do meu amigo. Mas respondeu “Boa tarde. Posso ajudá-lo?” com um ar de frete incrível. Ele disse que sim, que pretendia ver vinhos. Ela respondeu: “Não temos grande coisa.” Seguidamente, perante o nosso desinteresse devido ao elevadíssimo preço praticado no vinho (já o tínhamos visto mais barato numa conhecida superfície comercial… se é mais caro na origem é no mínimo estranho), respondeu com a magnificente frase: “Fiquem à vontade que eu vou continuar o meu trabalho.”
Caríssimo leitor: já viu certamente que erros estão aqui inculcados. Tem um negócio? Por favor certifique-se que os seus colaboradores não cometem estes erros crassos que podem arruinar a empresa de qualquer um:
- Não valorizar o produto. Frases como “Não temos grande coisa” são injustificáveis. Demonstra um total desinteresse, descrença e incapacidade de valorizar o produto, neste caso, vinho.
- Frases como “Fiquem à vontade que eu vou continuar o meu trabalho.” São estapafúrdias. Então a falar connosco não estaria a trabalhar? Deixa transparecer uma imagem que estávamos ali a atrapalhar o trabalho da senhora.
- Cara de frete. Parece-me óbvia, não?
- Pré julgamento. Deve ter pensado que não seríamos potenciais compradores… (Leiam este artigo do Napoleão: Pré Julgando & Pré Qualificando).
Aquela herdade custou milhares de euros. Milhões de gotas de suor. Construiu-se um sonho à volta de um produto.
Não é de todo aconselhável que se deixe perecer. Ainda por cima desta forma.
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Já que sou incluido no Post deixa-me aqui também deixar a minha impressão sobre os dois tipos de atendimento.
Na Malhadinha Nova, acabámos por comprar umas quantas caixas de vinho Monte da Pesseguina, o funcionário ofereceu-nos uma garrafa de 1/2 litro de azeite e acabámos por ir lá jantar ( dará para outro post um dia destes) o que foi uma fantástica experiência gastronómica.
Na outra herdade onde também pensávamos fazer algum investimento, acabámos por não adquirir nada, e regressar de l´´a com a impressão que tão bem subscreveste.
De qualquer modo a herdade é sublime e o vinho de excelente qualidade, coisa que sei de anteriores visitas, porque se fosse só por esta, ficaria com a mais terrivel das impressões, que é a da ” exclusão” pelo aspecto informal que o cliente apresenta, ou simplesmente porque a funcionária acha mais interessante jogar ao “solitário” no computador ao seu serviço.
Penso que não é nenhum ditado popular, mas acho que já ouvi a expressão: “Um bom empregado faz uma boa casa.”
O contrário também se apilca, ou seja, que é o caso descrito neste artigo.
Todos nós temos os nossos dias e os nossos momentos ao que parece esta senhora estava mesmo num dia muito mau!
Esperamos que não seja prática corrente para bem desta magnifica quinta!
Por vezes não é preciso muito para cativar um cliente basta um sorriso sincero e meia dúzia de palavras simpáticas.
[...] os seus temas. Eu também gosto desta abordagem despreocupada porém simultaneamente atenta. Desde visitas a adegas; jantares no Charneco; idas ao cinema; conversas na cabeleireira… enfim, tudo serve para [...]
[...] Publicado originalmente em Uma aventura na adega ou como arruinar um negócio [...]
Ola a tds,
Helder td bem? Bom post. Deu para rir e ver o tipo de marketing que se pratica em terras alentejanas ….
“Não temos grande coisa!” HAHA, então é só m…da ??
“Fiquem à vontade que eu vou continuar o meu trabalho” Bem … demonstra a maior disponibiliadade !! E percebe-se que atender clientes não faz parte do trabalho.
Conta mais …
Abraços,
Artur
Será que a Herdade em questão é a HERDADE DOS GROUS que fica ali ao lado ?
Ainda ontem lá estive e todos foram muito atenciosos. Também estive la Malhadinha e foram igualmente simpáticos.
Por não o referirem, informo que a Malhadinha tem um Rosé (de olhos fechados ninguém diz que se trata de um rosé) muito, muito bom (ROSÉ PESSEGUINA).
Abraços
Ah, é verdade…
Em Entradas ( a tal éncantadora vila que refere ), existe um restaurante ( A CAVALARIÇA ) onde se come ( e paga… ) lindamente…
Recomenda a presa ibérica ou o lombo de porco preto regado por uma de tinto da herdade dos grous e, como sobremesa, a pão de rala. Divino…
Abraços
Olá Artur, obrigado pelo comentário!
Olá Rui,
Bem-vindo ao blogue! Obrigado pelos comentários!
A Cavalariça de facto é um sítio extraordinário! Eu recomendo sem dúvida a Açorda de Fraca! E os queijinhos… uma delícia!
Um abraço